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sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Dezembros - Fagner e Zeca Baleiro (ao vivo)




Gravado em 2003, o álbum desses dois ícones da nossa MPB teve uma aceitação por parte do público, tão tremenda, que eles resolveram fazer uma turnê pelo país, e assim gravar um DVD, que também foi muito bem aceito, tanto que sua vendagem foi de 500 mil cópias. O DVD foi gravado de 12 a 14 de dezembro de 2003, no Canecão, no Rio de Janeiro  Dezembros foi, entre tantas outras, muito bem executada nas rádios... essas que ainda se propõem em nos brindar com a boa música.

Dezembros
Composição de Fagner, Zeca Baleiro e Fausto Nilo

Nunca mais a natureza da manhã
E a beleza no artifício da cidade
Num edifício sem janelas
Desenhei os olhos dela
Entre vestígios de bala
E a luz da televisão

Os meus olhos têm a fome
Do horizonte
Sua face é um espelho
Sem promessas
Por dezembros atravesso
Oceanos e desertos
Vendo a morte assim tão perto
Minha vida em suas mãos

O trem se vai
Na noite sem estrelas
E o dia vem
Nem eu nem trem, nem ela



A poesia quando boa, tem música nas palavras, e ai, é só dançar, com métrica ou não!
Abraços, sempre!!!...
Mu®illo diM@tto♪

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Raimundo Fagner


Raimundo Fagner Cândido Lopes, nome completo de Fagner, foi um dos integrantes do movimento que ficou conhecido como Pessoal do Ceará, na qual contava com Belchior, Ednardo, Jorge Mello, Téti, Rodger Rogério, Amelinha, Ricardo Bezerra, Manessés, e outros mais, lá nos idos anos de 1970.

Manera Fru Fru, Manera (ou o Último Pau-de-Arara), é o primeiro disco do cantor e compositor Raimundo Fagner, lançado em 1973, pela PolyGram, que já foi uma das maiores da industria fonográfica, mas que encerrou suas atividades em 1998. Um disco bom, de leveza musical, na qual mostra um Fagner ainda com a boa nordestinidade brejeira em suas veias. Esse é mais um disco entre os tantos que surgiram da chamada "invasão nordestina". O interessante é que no ano de lançamento, esse disco só vendeu 5 mil exemplares, e por isso foi tirado de catálogo... somente em 1976, com o lançamento do segundo disco de Fagner, é que o disco retornou as prateleiras das lojas. O disco tem como artistas convidados: Nara Leão e Naná Vasconcelos.     

No entanto, esse primeiro disco de Fagner é visto como um dos mais problemáticos da nossa MPB, pois além da questão dos direitos autorais com a música "Canteiros" cujo texto na realidade era um poema de Cecilia Meireles e não houve nenhuma referência quanto a isso na ficha técnica do disco, a ponto da música ser retirada nas novas prensagens e substituída pelo música "Cavalo Ferro", música de Fagner em parceria com Ricardo Bezerra... anos depois, a música a da dor de cabeça para Fagner foi "Penas do Tiê". Veja o quê foi dito pelo jornalista Jotabê Medeiros, em 1999: 

"SÃO PAULO - O disco “Manera Fru Fru, Manera”, do cantor e compositor cearense Raimundo Fagner, corre o risco de entrar para o livro dos recordes como o mais problemático da música popular brasileira. 

Depois de ter sido comprovado, em 1981, que Fagner gravou duas canções que eram plágio de poemas de Cecília Meireles, “Canteiros”, também de “Manera Fru Fru, Manera”, e “Motivo”, de um disco chamado “Fagner”, de 1979), um novo imbróglio se criou em torno de um dos seus sucessos mais conhecidos, “Penas do Tiê”. Fagner alegou, quando do lançamento do disco, que “Penas do Tiê” era uma adaptação sua do folclore, de uma canção recolhida do domínio público.

“Penas do Tiê” nada mais é do que uma regravação, ipsis litteris, de “Você”, uma composição de Hekel Tavares (1886-1969) e Nair Mesquita, editada em 1928 e dedicada à cantora lírica Gabriella Besansoni Lage. 

O “deslize” de Fagner, apontado inicialmente pelo jornalista Tárik de Souza, do Jornal do Brasil, demorou 26 anos para ser descoberto (de 1973 até hoje). E só o foi porque o filho do compositor Hekel Tavares, Alberto Hekel Tavares, ouviu uma gravação recente da Orquestra Pró-Música do Rio de Janeiro, tendo como solista a cantora Ithamara Koorax, e pôde comparar com as gravações anteriores de Fagner. 

“É inacreditável: tratava-se da mesma canção”, diz Alberto Hekel Tavares. Segundo ele, Fagner só mudou duas palavras. “Ele chama a fruta gabiroba de guabiraba, coisa que não existe”, diz Tavares. Desde sua gravação inicial, em 1973, “Penas do Tiê” (ou “Você”) teve diversas regravações. Joanna a gravou no CD “Vidamor”, pela BMG. A Philips a relançou duas vezes. Nana Caymmi a canta em dueto com Fagner no CD “Amigos e Canções”, também da BMG. 

A gravadora Warner Chapell, com quem Fagner assinou contrato para a gravação original de “Manera, Fru Fru, Manera”, admite o equívoco do crédito e está em contato com os advogados dos herdeiros de Hekel Tavares. Fagner, também contatado, reconhece que houve um problema, mas acha muito alta a quantia pedida como indenização: R$ 400 mil.

“A canção não só não era do folclore como era bastante conhecida e de um dos grandes compositores brasileiros”, diz Alberto Hekel Tavares. “Nós queremos indenização financeira e também moral, porque a obra do meu pai foi usurpada”, afirma. Caso não haja um acordo, Tavares pretende processar Fagner. 

Hekel Tavares foi um compositor de sucesso na primeira metade do século. Compunha música popular e também música sinfônica. Nos anos 1950, seu “Concerto em Formas Brasileiras” foi apresentado nos Estados Unidos com a pianista Guiomar Novaes, como solista, e sob a regência do maestro Karl Kruger. (Agência Estado)."

Polêmicas a parte, Raimundo Fagner é um dos maiores contribuintes culturais para a nossa música... 

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A música quando boa, instrumental ou não, tem poesia.
E ai, só ai, que é cultura!
Abraços, sempre!!!...
Mu®illo diM@tto♪
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