Era
um domingo desses, por volta de 1981 a 1984, em que eu aguardava ansioso o
programa Som Brasil, transmitido
pela Rede Globo e conduzido pelo cantador, compositor, ator, pesquisador cultural e diretor Rolando Boldrin, esse
mesmo que hoje apresenta o programa de igual estilo na TV Cultura, o programa chamado Sr. Brasil, já citado algumas vezes nesse blog
e também no meu outro blog Masmorra dos Dragões.

Nesse domingo em questão,
conheci um cantador que iria marcar de vez o meu gosto musical, seu nome? Dércio Marques,
com sua voz única e seu dedilhado assombroso de bom ao violão, Dércio cantava
as coisas de Minas Gerais, por isso
era de fato um cantador. Através de sua obra vim a conhecer um grupo de músicos
regionalistas, donos de uma musicalidade autentica e ímpar, como Doroty
Marques (sua irmã), Diana Pequeno
(sua esposa), Paulinho
da Pedra Azul, Chico Maranhão,
Elomar Figueira de Mello,
Saulo Laranjeira,
Xangai e Vital Farias, entre outros tantos.. uma
turminha que preservava (e que graças a Deus, ainda preserva) a sua terra, a sua cultura e não
caia (e não cai) nesses modismos impostos por essa tal baixa cultura midiática dos programas de rádios e TVs maçantes que nos ferem os tímpanos e a visão (pelo menos os
meus!).
Essa mesma mídia que com o
passar dos anos anunciou esporadicamente a obra de Dércio e dos outros aqui
citados, e que não fez (e não faz) o seu papel de divulgar a cultura em sua raiz,
pelo simples fato de que ignora que esse também é o seu papel, não anunciou com o respeito merecido que Infelizmente
Dércio Marques, esse músico com
maneirismos calmos de quem caminha sobre nuvens, veio a falecer em 27 de julho último. Então Dércio entra
para a lista daqueles que eu, em minha criminosa falta de tempo, venho a falar
só depois de falecido, o quê me dói em toda a alma.
Para quem não o conheceu,
ainda há tempo (sempre há), só é
preciso ter a boa vontade de fazê-lo e ter um gosto aguçado para as coisas simples da
vida... mesclado ao prazer da boa pesquisa, para poder perceber a musicalidade
desse grande artista, que como a maioria dos cantadores plenos, não tem aquela
voz que se diga: “nossa que voz!”, já que o quê vale mesmo para os cantadores são
suas melodias verdadeiras, que lembram a brisa do final de tarde e que veem
acompanhada com aquele bom cheirinho de terra, com poesia de gosto puro de interior, e que
nem por isso deixam (ou deixarão) de revelar as derrapadas de um país que não
valoriza os seus artistas nativos de coração, alma e opção...
Ainda bem que
existem pessoas que se importam com o que a nossa terra produz.
Viva Rolando
Boldrim!!!...
Viva Enezita Barroso (Programa Viola, Minha Viola)!!!...
Viva Lydio
Roberto (Programa Terra Canção)!!!...
E nos
desculpe Dércio, pela indiferença que nossos meios de comunicação também
tiveram em relação a sua morte. Que a sua obra sobreviva a essa indiferença e a "incultura" que muitos fazem questão de nos impor.
A música
quando boa, instrumental ou não, tem poesia.
E ai, só ai,
que é cultura!
Abraços,
sempre!!!...
Mu®illo
diM@tto♪