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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Raimundo Fagner


Raimundo Fagner Cândido Lopes, nome completo de Fagner, foi um dos integrantes do movimento que ficou conhecido como Pessoal do Ceará, na qual contava com Belchior, Ednardo, Jorge Mello, Téti, Rodger Rogério, Amelinha, Ricardo Bezerra, Manessés, e outros mais, lá nos idos anos de 1970.

Manera Fru Fru, Manera (ou o Último Pau-de-Arara), é o primeiro disco do cantor e compositor Raimundo Fagner, lançado em 1973, pela PolyGram, que já foi uma das maiores da industria fonográfica, mas que encerrou suas atividades em 1998. Um disco bom, de leveza musical, na qual mostra um Fagner ainda com a boa nordestinidade brejeira em suas veias. Esse é mais um disco entre os tantos que surgiram da chamada "invasão nordestina". O interessante é que no ano de lançamento, esse disco só vendeu 5 mil exemplares, e por isso foi tirado de catálogo... somente em 1976, com o lançamento do segundo disco de Fagner, é que o disco retornou as prateleiras das lojas. O disco tem como artistas convidados: Nara Leão e Naná Vasconcelos.     

No entanto, esse primeiro disco de Fagner é visto como um dos mais problemáticos da nossa MPB, pois além da questão dos direitos autorais com a música "Canteiros" cujo texto na realidade era um poema de Cecilia Meireles e não houve nenhuma referência quanto a isso na ficha técnica do disco, a ponto da música ser retirada nas novas prensagens e substituída pelo música "Cavalo Ferro", música de Fagner em parceria com Ricardo Bezerra... anos depois, a música a da dor de cabeça para Fagner foi "Penas do Tiê". Veja o quê foi dito pelo jornalista Jotabê Medeiros, em 1999: 

"SÃO PAULO - O disco “Manera Fru Fru, Manera”, do cantor e compositor cearense Raimundo Fagner, corre o risco de entrar para o livro dos recordes como o mais problemático da música popular brasileira. 

Depois de ter sido comprovado, em 1981, que Fagner gravou duas canções que eram plágio de poemas de Cecília Meireles, “Canteiros”, também de “Manera Fru Fru, Manera”, e “Motivo”, de um disco chamado “Fagner”, de 1979), um novo imbróglio se criou em torno de um dos seus sucessos mais conhecidos, “Penas do Tiê”. Fagner alegou, quando do lançamento do disco, que “Penas do Tiê” era uma adaptação sua do folclore, de uma canção recolhida do domínio público.

“Penas do Tiê” nada mais é do que uma regravação, ipsis litteris, de “Você”, uma composição de Hekel Tavares (1886-1969) e Nair Mesquita, editada em 1928 e dedicada à cantora lírica Gabriella Besansoni Lage. 

O “deslize” de Fagner, apontado inicialmente pelo jornalista Tárik de Souza, do Jornal do Brasil, demorou 26 anos para ser descoberto (de 1973 até hoje). E só o foi porque o filho do compositor Hekel Tavares, Alberto Hekel Tavares, ouviu uma gravação recente da Orquestra Pró-Música do Rio de Janeiro, tendo como solista a cantora Ithamara Koorax, e pôde comparar com as gravações anteriores de Fagner. 

“É inacreditável: tratava-se da mesma canção”, diz Alberto Hekel Tavares. Segundo ele, Fagner só mudou duas palavras. “Ele chama a fruta gabiroba de guabiraba, coisa que não existe”, diz Tavares. Desde sua gravação inicial, em 1973, “Penas do Tiê” (ou “Você”) teve diversas regravações. Joanna a gravou no CD “Vidamor”, pela BMG. A Philips a relançou duas vezes. Nana Caymmi a canta em dueto com Fagner no CD “Amigos e Canções”, também da BMG. 

A gravadora Warner Chapell, com quem Fagner assinou contrato para a gravação original de “Manera, Fru Fru, Manera”, admite o equívoco do crédito e está em contato com os advogados dos herdeiros de Hekel Tavares. Fagner, também contatado, reconhece que houve um problema, mas acha muito alta a quantia pedida como indenização: R$ 400 mil.

“A canção não só não era do folclore como era bastante conhecida e de um dos grandes compositores brasileiros”, diz Alberto Hekel Tavares. “Nós queremos indenização financeira e também moral, porque a obra do meu pai foi usurpada”, afirma. Caso não haja um acordo, Tavares pretende processar Fagner. 

Hekel Tavares foi um compositor de sucesso na primeira metade do século. Compunha música popular e também música sinfônica. Nos anos 1950, seu “Concerto em Formas Brasileiras” foi apresentado nos Estados Unidos com a pianista Guiomar Novaes, como solista, e sob a regência do maestro Karl Kruger. (Agência Estado)."

Polêmicas a parte, Raimundo Fagner é um dos maiores contribuintes culturais para a nossa música... 

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A música quando boa, instrumental ou não, tem poesia.
E ai, só ai, que é cultura!
Abraços, sempre!!!...
Mu®illo diM@tto♪
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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

14 de Março - Dia Nacional da Poesia



Postado em:

O Dia Nacional da Poesia foi criado para divulgar e homenagear a poesia e os grandes poetas da Literatura brasileira
Essa imagem que ilustra ess artigo foi feita a partir de imagens das capas dos livros dos poetas citados.

O Dia Nacional da Poesia é comemorado no dia 14 de março, data de nascimento de um dos maiores poetas brasileiros: Castro Alves.

Você sabia que a poesia nacional tem um dia no calendário dedicado a ela? Pois bem, não por acaso, no dia 14 de março comemoramos o Dia Nacional da Poesia.


Criada para difundir a poesia e a linguagem literária, a data foi escolhida para homenagear um de nossos maiores poetas, Antônio Frederico de Castro Alves, nascido na cidade de Curralinho (hoje Castro Alves), em 14 de março de 1847. Castro Alves foi considerado um dos mais brilhantes poetas românticos, responsável por uma nova concepção de amor na Literatura, além de um notável entusiasmo por grandes causas sociais, como a abolição da escravatura. Depois dele, muitos outros vieram, mas como grande poeta que foi, teve seu nome perpetuado em nossa história, sendo, então, digno de reverências e homenagens.


Nossa Literatura brasileira é profícua, sendo representada magistralmente por grandes poetas que fizeram do ofício da escrita sua profissão de fé. A poesia é uma das expressões artísticas mais populares e, permeada por seu lirismo característico, arrebata leitores e penetra em diferentes contextos, pois até mesmo diante da mais dura realidade pode nascer um poema (e como eles nos comovem!). Para comemorar a data, selecionamos para você belíssimos poemas de alguns de nossos maiores poetas que certamente o farão ter vontade de revisitar a poesia também em outros dias, não apenas quando avisar o calendário. Dos primeiros românticos aos poetas contemporâneos, do Olimpo à pedra, do púlpito das igrejas à poesia social, dez poemas brasileiros para você ler, reler e contemplar. Boa leitura!


Cansaço


O NÁUFRAGO nadou por longas horas...
Na praia dorme frio num desmaio.
A força após a luta abandonou-o,
Do sol queimou-lhe a face ardente raio.
Pois eu sou como o nauta... Após a luta
Meu amor dorme lânguido no peito.
Cansado... talvez morto, dorme e dorme
Da indiferença no gelado leito.
Sobre as asas velozes a andorinha
Maneira se lançou nos puros ares...
Veio após o tufão... lutou debalde,
Mas em breve boiou por sobre os mares.
Eu sou como a andorinha... Ergui meu vôo
Sobre as asas gentis da fantasia.
A descrença nublou-me o céu da vida...
E a crença estrebuchou numa agonia.
Como as flores de estufa que emurchecem
Lembrando o céu azul do seu país,
Minha alma vai morrendo, suspirando
Por seus perdidos sonhos tão gentis.
E que durma ... E que durma ... ó virgem santa,
Que criou sempre pura a fantasia,
Só a ti é que eu quero que te sentes
Ao meu lado na última agonia.

Castro Alves


O menino doente
 
O menino dorme. para que o menino
Durma sossegado,
Sentada ao seu lado
A mãezinha canta:
— "Dodói, vai-te embora!
"Deixa o meu filhinho,
"Dorme . . . dorme . . . meu . . ."

Morta de fadiga,
Ela adormeceu.
Então, no ombro dela,
Um vulto de santa,
Na mesma cantiga,
Na mesma voz dela,
Se debruça e canta:
— "Dorme, meu amor.
"Dorme, meu benzinho . . . "

E o menino dorme.

Manuel Bandeira


Mãos dadas


Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente.


Carlos Drummond de Andrade


A Educação pela Pedra


Uma educação pela pedra: por lições;
Para aprender da pedra, frequentá-la;
Captar sua voz inenfática, impessoal
(pela de dicção ela começa as aulas).
A lição de moral, sua resistência fria
Ao que flui e a fluir, a ser maleada;
A de poética, sua carnadura concreta;
A de economia, seu adensar-se compacta:
Lições da pedra (de fora para dentro,
Cartilha muda), para quem soletrá-la.

Outra educação pela pedra: no Sertão
(de dentro para fora, e pré-didática).
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
E se lecionasse, não ensinaria nada;
Lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
Uma pedra de nascença, entranha a alma.

 João Cabral de Melo Neto


"Dois e Dois são Quatro"


Como dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
Embora o pão seja caro
E a liberdade pequena
Como teus olhos são claros
E a tua pele, morena
como é azul o oceano
E a lagoa, serena

Como um tempo de alegria
Por trás do terror me acena
E a noite carrega o dia
No seu colo de açucena

- sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
e a liberdade pequena.

Ferreira Gullar


Via Láctea


“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

Olavo Bilac


É preciso não esquecer nada


É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.

O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.

O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a ideia de recompensa e de glória.

O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.


Cecília Meireles


Canção do dia de sempre


Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...


Mario Quintana

Bem no Fundo


No fundo, no fundo, bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.

Paulo Leminski


Desilusão


Como a folha no vento pelo espaço
Eu sinto o coração aqui no peito,
De ilusão e de sonho já desfeito,
A bater e a pulsar com embaraço.

Se é de dia, vou indo passo a passo
Se é de noite, me estendo sobre o leito,
Para o mal incurável não há jeito,
É sem cura que eu vejo o meu fracasso.

Do parnaso não vejo o belo monte,
Minha estrela brilhante no horizonte
Me negou o seu raio de esperança,

Tudo triste em meu ser se manifesta,
Nesta vida cansada só me resta
As saudades do tempo de criança.


Patativa do Assaré




Por Luana Castro
Graduada em Letras


Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:


PEREZ, Luana Castro Alves. "14 de Março - Dia Nacional da Poesia"; Brasil Escola. Disponível em

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Abraços, sempre!!!...
Mu®illo diM@tto♪
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